A abertura da exposição “Geografias de um corpo bússola”, mostra individual do artista mineiro Daniel Jorge, contou com um grande público que foi até a Caixa Cultural, no Rio de Janeiro. Radicado em Salvador, onde vive e trabalha, Daniel Jorge apresenta um conjunto de mais de 50 obras, formando um recorte compreensivo e inédito de sua produção, que transita entre os campos da escultura, da instalação, do desenho, do vídeo e da performance.
Por lá, nomes não apenas das artes visuais como também da música e do pensamento acadêmico juntaram-se para celebrar a expô de Jorge. Marcelo D2, João Pedro Januário, a curadora Thais Darzé, a galerista Isadora Ganem, o também curador Victor Gorgulho, Luiza de Paula Machado, Paulo Herkenhoff e outros nomes.
O título da mostra, “Geografias de um corpo bússola” aponta, nas palavras do artista: “Esta é uma exposição pensada como um ato, um ato que reúne de maneira articulada três atos que eu desenvolvi nos últimos anos. Trata-se de um campo de entrelaçamento. Tenho visto meu trabalho como um rio, com seus afluentes e nascentes. Um rio que se desdobra, que muda de curso. Portanto o título se configura como um eixo conceitual. A exposição se afirma como gesto contínuo, vai se desdobrando em outros territórios e formas”.
Enfatiza ainda o papel que o Rio de Janeiro desempenha em seu imaginário para que a exposição aconteça na cidade: “A bússola, nesse caso, não aparece como um objeto neutro mas sim uma construção política. O Rio de Janeiro é uma cidade tanto poética quanto ambígua e complexa. Território onde a população penetra em lugares distintos, uma cidade criada nas beiras – do rio, das montanhas”.
A exposição atravessa diferentes momentos da trajetória do artista, marcada por deslocamentos entre Minas Gerais, onde nasceu; Rio de Janeiro, onde foi criado; e Salvador, onde atualmente vive e trabalha. Sua arte nasce do atrito entre território, memória e matéria, tendo o corpo como eixo sensível de orientação. Ao propor geografias em suspensão e trabalhar com pedra-talco, pedra-sabão e metal, o artista transforma essas matérias em vestígios vivos que afirmam reexistências e operam como gesto político contra o apagamento.
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