*por Vítor Antunes
A internet apresenta caminhos complexos, especialmente em relação à saúde mental. Antes da pandemia, já havia uma proliferacão de perfis de “especialistas” sem credenciais, que ofereciam soluções simplistas para problemas intricados. Nesse ambiente volátil, a comunicação responsável ganha um novo significado. Um filósofo e escritor decidiu se inserir nesse debate e, utilizando as redes sociais, conquistou mais de 500 mil seguidores, incluindo personalidades como Rafa Kaliman e Eliana. Nele, compartilha breves reflexões e cápsulas de autoconhecimento, ao mesmo tempo em que continua a publicar obras como Revolução Existencial, Cartas de Despedida para os meus Ex-amores e Tudo o que seu coração precisa te falar.
Para ele, atuar nesse espaço é parte fundamental do seu trabalho: “Sempre percebi a internet e a tecnologia como um ambiente onde buscamos aquilo que nos nutre. A tecnologia pode ser tanto uma ferramenta que desgasta quanto uma que fortalece. Meu objetivo é ajudar as pessoas a utilizarem melhor seu tempo nas redes sociais. Embora eu já escrevesse livros, notei que muitos gastavam horas nas telas sem qualquer filtro. A proposta foi oferecer conteúdos diários que sejam rápidos, mas não superficiais. Redes sociais não substituem terapia; elas não solucionam problemas, mas podem gerar insights e expandir a consciência”. Ele acredita que enquanto as redes sociais funcionam como um primeiro contato, o verdadeiro aprofundamento ocorre através dos livros. “O livro proporciona um entendimento mais profundo e estruturado; ele pode orientar e direcionar, mas permite também uma imersão mais rica em camadas de compreensão”.
Em relação à terapia, ele nota uma evolução recente: “Superamos vários estigmas sobre cuidar da saúde mental. Contudo, ainda há uma visão superficial sobre o tema. É crucial compreender como isso impacta a sociedade — entre jovens, crianças e idosos — e refletir sobre como esse cuidado pode ser acessível em espaços públicos, escolas e áreas vulneráveis. Apesar de hoje reconhecermos sua importância, faltam ações concretas. Muitas pessoas não têm condições financeiras para arcar com sessões semanais; é necessário debater maneiras práticas de ampliar o acesso”.
Atualmente, vivemos numa época marcada pela pressa, especialmente entre os mais jovens — Alexandro Gruber
Alexandro Gruber: A pandemia ainda reflete na saúde mental (Foto: Rosilene Presznhuk)
A PANDEMIA ACABOU?
Segundo o filósofo, embora os efeitos físicos da pandemia tenham se dissipado, suas consequências emocionais permanecem. “A pandemia atuou como um marco emocional significativo. Nunca antes na modernidade enfrentamos algo tão inusitado que afetasse coletivamente nosso estado emocional. Tivemos que nos reinventar como seres humanos e repensar nossos hábitos de vida. O evento pode ter passado fisicamente — reestabelecemos contatos — mas muitas memórias emocionais ainda permanecem. Esses registros podem ser vistos como traumas ou dores: a situação pode acabar, mas as impressões ficam. Continuamos em um processo de adaptação e reconexão que vai além do físico; é emocional também. Estamos reaprendendo a viver e cuidar do nosso interior.”
A busca por equilibrar o retorno à vida normal — mantendo o bem-estar emocional frente aos desafios diários — tornou-se complexa devido à nova rotina marcada pela tecnologia crescente e avanços como a inteligência artificial. Seis anos após a pandemia, seus impactos ainda ressoam em várias esferas emocionais — Alexandro Gruber
Alexandro Gruber: Os jovens são particularmente vulneráveis devido às redes sociais (Foto: Francielle Misturini)
MIGALHAS DE AFETO
Uma característica da atual geração é avaliar popularidade através das curtidas nas redes sociais, algo que alguns chamam de “migalha de afeto”. O filósofo coloca essa questão em perspectiva: “A busca por aceitação é algo antigo; desde tempos primitivos dependemos do grupo para nossa sobrevivência. Com as redes sociais, essa dinâmica se distorceu; começamos a acreditar que precisamos do ‘like’ dos outros para nos sentirmos amados e aceitos — frequentemente buscando validação de pessoas desconhecidas”.
Ele complementa com um ponto crucial: “É imprescindível cultivar contatos genuínos baseados em atitudes verdadeiras. E acima de tudo entender que não precisamos da validação coletiva nem dos aplausos massivos para nos sentirmos completos. O que realmente sustenta nossas existências são os laços sinceros com aqueles que realmente importam para nós. Sem esses vínculos próximos podemos ter muitas curtidas nas redes sociais e ainda assim sentir um vazio existencial — uma solidão não por estar sozinho fisicamente, mas por falta de conexão real com os outros.” Curtidas não são sinônimo de afeto ou conexão verdadeira; elas representam apenas métricas das redes sociais.”
Alexandro Gruber: O reconhecimento deve vir de dentro (Foto: Francielle Misturini)
NOVOS PROJETOS
Com diversos títulos publicados, Alexandro está preparando o relançamento do seu primeiro livro ainda neste ano e já planeja sua próxima obra. “Anos atrás lancei meu primeiro livro focado no desenvolvimento pessoal chamado O que a vida quer te dizer, voltado ao autoconhecimento e ao despertar interior. Na época teve uma tiragem menor mas foi muito bem recebido. Agora estou revisando esse material para lançar uma nova edição no segundo semestre com textos inéditos acrescentados para quem já teve acesso ao original.” Além disso ele está desenvolvendo um projeto com a Editora Planeta para 2027 sobre enfrentar momentos difíceis e crises emocionais; pretende criar um guia acolhedor especialmente voltado para as fases mais complicadas da vida.
Recentemente seu percurso editorial passou por mudanças inesperadas. “A ideia desse próximo livro era trabalhada há algum tempo quando decidi antecipar Cartas de Despedida para meus Amores, lançado em 2024 devido à alta demanda sobre relacionamentos nas redes sociais.” Este tema ressoava fortemente entre os leitores.
No dinâmico ambiente digital atual onde informações fluem constantemente,a ansiedade surge quase como efeito colateral inevitável.”É impossível escapar desse impacto.O ritmo acelerado das redes sociais contrasta diretamente com o nosso ritmo natural.” Aumento nos níveis de ansiedade está intrinsecamente ligado ao crescimento dessas plataformas digitais.”Você pode abrir seu celular tranquilo,e ao rolar o feed em poucos minutos se sentir angustiado muitas vezes sem perceber que foi exatamente esse conteúdo consumido que provocou esta sensação – seja pela comparação ou pela impressão de estar atrasado na vida alheia.”
Alexandro Gruber planeja novos lançamentos para 2026/2027 (Foto Francielle Misturini)
Para ele,a solução não reside na negação,sendo necessário fazer ajustes.Diz ele:”As redes impactam nossa percepção emocional,de maneira direta,más nunca refletem o verdadeiro ritmo da vida.Necessitamos desenvolver paciência conosco mesmos.O autoconhecimento proporciona discernimento sobre oque faz sentido ou não.Nosso nível de ansiedade é reflexo da sensação percebida dentro dela,não simplesmente falta calma”.
Relatando sua trajetória pessoal,diz:”Ninguém chega aqui apenas por curiosidade.Esta jornada começa com uma busca interna.Tentei me entender primeiro.E ao perceber os resultados positivos dessa transformação,senti vontade genuína compartilhar essa experiência.Comum entre aqueles envolvidos nessa área,costuma-se experimentar primeiramente consigo mesmo antes do compartilhamento”.
Entre o ruído contínuo das telas,e as promessas instantâneas,o discurso Alexandro revela algo mais profundo:a necessidade ouvir-se.Diante algoritmos aceleradoresde tempo,e métricas simuladorasde afeto,sua fala apontapara construção sensata sem plateia,sustentar vínculosque fogem das estatísticas,reaprenderhabitar própria vida num ritmo pessoal.Este retorno intimista longevalidação fácil,pode conduzir a um equilíbrio duradouro. p >
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A reflexão sobre saúde mental na geração Zde Alexandro Grubere expõe lógica das migalhasde afeto nas interações virtuais. p >




